Caminhando e Cantando

Sexta-feira, Julho 11, 2003




INTIMA CHUVA

Meu amor,
quando o mar nos convidou
a ir fundo
não chovia assim como nesse dia.
Os meses se dobraram
em quatro como eu
e era eu quem chovia
por dentro quente já naquela hora.

Exatamente quente como chovo agora.

Elisa Lucinda



Quarta-feira, Julho 09, 2003





A SERENATA

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
¿ só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado



Terça-feira, Julho 08, 2003




Meta

Não quero mais sonetos
para perpetuar
meus descaminhos.
Nem quero saber
onde foi se perder
minha estrela cadente.
Não quero gravetos
a sinalizar
os lugares por onde eu andar.
Vou dissipar os rastros
e dispensar os astros.
A luz é lá na frente.
Não quero voltar.

Flora Figueiredo



Segunda-feira, Julho 07, 2003


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Domingo, Julho 06, 2003