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Caminhando e Cantando
De tudo um pouco...
Começo do Caminho
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Sexta-feira, Janeiro 31, 2003
"Para te magoar,são necessários um inimigo e um amigo: um inimigo,para te caluniar e um amigo,para te transmitir a calúnia" Mark Twain
NICOLE DUPLAIX MOTIVO Cecília Meireles Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta Irmão das coisas fugidias, Não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. Quinta-feira, Janeiro 30, 2003
"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Mergulhe no que você não conhece." Clarice Lispector
Tudo depende de mim!!! Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite. É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo.... ou agradecer às águas por lavarem a poluição. Posso ficar triste por não ter dinheiro.... ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças,evitando desperdício Posso reclamar sobre minha saúde.... ou dar graças por estar vivo Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria... ou posso ser grato por ter nascido Posso reclamar por ter que ir trabalhar.... ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com as tarefas de casa... ou agradecer a Deus por ter um teto para morar. Posso lamentar decepções com amigos... ou me entusiasmar com a possibilidade, de fazer novas amizades. Se as coisas não sairam como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu,o escultor que pode dar forma "Tudo depende só de mim"! Charles Chaplin A primeira coisa que vou fazer é colocar o presente que a Camila minha neta me deu
Quarta-feira, Janeiro 29, 2003
Súplica Florbela Espanca Olha pra mim, amor, olha pra mim; Meus olhos andam doidos por te olhar! Cega-me com o brilho de teus olhos Que cega ando eu há muito por te amar. O meu colo é arrninho imaculado Duma brancura casta que entontece; Tua linda cabeça loira e bela Deita em meu colo, deita e adormece! Tenho um manto real de negras trevas Feito de fios brilhantes d`astros belos Pisa o manto real de negras trevas Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos! Os meus braços são brancos como o linho Quando os cerro de leve, docemente... Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te Nessa cadeia assim etemamente! ... Vem para mim,amor...Ai não desprezes A minha adoração de escrava louca! Só te peço que deixes exalar Meu último suspiro na tua boca!... Terça-feira, Janeiro 28, 2003
Darcy Ribeiro Aquela Minha amada é de carne, de pele e pêlo. Ora é negra, ora é loura, ora é vermelha. Minha amada é três. É trinta e três. Minha amada é lisa, é crespa, é salgada, é doce. Ela é flor, é fruto, é folha, é tronco. Também é pão, é sal e manga-rosa. Minha amada é cidade de ruas e pontes. É jardim de arrancar flores pelo talo. Ela é boazuda e é bela como uma fera. Minha amada é lúbrica, é casta, é catinguenta. Minha amada tem bocas e bocas de sorver, de sugar, de espremer, de comer. Minha amada é funda, latifúndia. Minha amada é ela, aquela que não vem. Ainda não veio, nunca veio, ainda não. Mas virá, ora se virá. A diaba me virá Segunda-feira, Janeiro 27, 2003
Pablo Neruda Os teus pés Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros. Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue. Tua cintura e teus seios, a duplicada purpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouo levantaram voo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha. Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, Domingo, Janeiro 26, 2003
Dor-de-cotovelo Deve ser tratada com dignidade. Não é virose, epidemia ou artrose, nem mesmo falha de envelhecimento. Independe da idade. Costuma dar a sensação de um escuro profundo, onde a luz não chega, onde a esperança é cega e nossa estima é o rodapé do mundo. Não acredite ! Como esse mal não transmite nenhum perigo fatal, poder ser prazeroso o colo de um amigo, um abraço forte, como abrigo, uma palavra doce, um cafuné. Acima de tudo, que se mantenha a fé. Muito pior do que passar por isso é sonegar emoção, evitar o risco e o compromisso, esconder-se atrás das grades da razão. Quem hoje por amor está sofrendo, Só por amar, já merece estar vivendo. Flora Figueiredo Sábado, Janeiro 25, 2003
Enlevo Eu olho você grande e distante e da sua grandeza me comovo e da sua distância me revolto. Olho de novo. Procuro reter em minhas mãos sua figura mas ela gesticula, oscila e cresce e numa inconstância distraída no instante exato por trás da vida desaparece. Um desacato. Do meu desaponto eu me levanto pra levar embora outro desencanto mas você me divisa e então me chama. Me aguarda, reclama e me convida e minha vida nessa ansiedade por fim entrego. E nesse amor feito de espuma colorida nós flutuamos: você borbulha, eu escorrego, ensaboados, você explode, eu me desintegro. Flora Figueiredo Sexta-feira, Janeiro 24, 2003
Se te pareço ausente, não creias Se te pareço ausente, não creias: hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços, hora a hora meu desejo revolve teus escombros, e escorrem dos meus olhos mais promessas. Não acredites nesse breve sono; não dês valor maior ao meu silêncio; e se leres recados numa folha branca, Não creias também: é preciso encostar teus lábios nos meus lábios para ouvir. Nem acredites se pensas que te falo: palavras são meu jeito mais secreto de calar. Lya Luft Quinta-feira, Janeiro 23, 2003
Soneto do Amor Total Vinicius de Moraes Amo-te tanto meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te enfim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. Quarta-feira, Janeiro 22, 2003
"Um pressentimento de uma mulher é mais preciso que uma certeza de um homem" Rudyard Kipling Terça-feira, Janeiro 21, 2003
Comunhão Tal como o camponês, que canta a semear A terra, Ou como tu, pastor, que cantas a bordar A serra De brancura, Assim eu canto, sem me ouvir cantar, Livre e à minha altura. Semear trigo e apascentar ovelhas É oficiar à vida Numa missa campal. Mas como sobra desse ritual Uma leve e gratuita melodia, Junto o meu canto de homem natural Ao grande coro dessa poesia. (Miguel Torga) "A VIDA NÃO É DE SE BRINCAR, PORQUE EM PLENO DIA SE MORRE" Clarice Lispector.
A Estrela que Brilha Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida. E nela só temos uma chance de fazermos aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce, dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana, e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram, para aqueles que se machucam, para aqueles que buscam e tentam sempre e para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma eternidade. (autor desconhecido) Segunda-feira, Janeiro 20, 2003
Então, um homem disse-lhe: Fala-nos do conhecimento de si. E ele respondeu: Os vossos corações conhecem, no silêncio, os segredos dos dias e das noites. Mas os vossos ouvidos têm sede de ouvir finalmente o eco do saber dos vossos corações. Gostaríeis de saber pelo verbo o que sempre soubeste pelo pensamento. Gostaríeis de sentir com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos. E está certo que assim o queirais. A fonte oculta da vossa alma deve necessariamente jorrar e correr a murmurar para o mar; e o tesouro das vossas profundezas infinitas revelar-se aos vossos olhos. Mas que não haja balança que pese o vosso tesouro desconhecido; e não procureis explorar os abismos do vosso saber com a vara ou com a sonda, pois o eu é um mar sem limites e sem medida. Não digais: "Encontrei a verdade", mas antes: "Encontrei uma verdade." Não digais: "Encontrei o caminho da alma." Mas antes: "Cruzei-me com a alma que seguia pelo meu caminho." Pois a alma percorre todos os caminhos. A alma não caminha sobre uma linha nem se alonga como uma vara. A alma abre-se a si própria como se abre um lótus de inúmeras pétalas. Khalil Gibran Domingo, Janeiro 19, 2003
A Lucidez Perigosa , Clarice Lispector Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém. Sábado, Janeiro 18, 2003
Man carrying bunch of red roses, portrait ROBIN DAVIES Absolvição e Culpa Em que ponto nos perdemos ? Haveria outros caminhos, Ou absortos, e ao mesmo tempo absolvidos Fomos nós os próprios pontos que ficaram perdidos? Em que cor nos destoamos? Haveria outras combinações. Ou inertes, e ao mesmo tempo incisivos Fomos nós os próprios tons que ficaram destorcidos Em que história não nos emocionamos? Haveria outros finais. Ou sonhadores, e ao mesmo tempo sem medo Fomos nós os próprios vilões do enredo. Em que ponto não nos perdoamos? Haveria sempre uma absolvição. Ou egoístas, e ao mesmo tempo comungado Fomos nós o nosso próprio pecado. Tonho França. Sexta-feira, Janeiro 17, 2003
O futuro tem muitos nomes. Para os fracos,é o inatingível Para os temerosos,o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade Vitor Hugo Pessoas brilhantes falam sobre idéias Pessoas medíocres falam sobre coisas Pessoas pequenas falam sobre outras pessoas Dick Corrigan Esse poema foi escrito em 1926 e como éatuall!!!
Sobrados e mucambos, pintura de Freyre Gilberto Freyre O outro Brasil que vem aí Eu ouço as vozes eu vejo as cores eu sinto os passos de outro Brasil que vem aí mais tropical mais fraternal mais brasileiro. O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados terá as cores das produções e dos trabalhos. Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças terão as cores das profissões e regiões. As mulheres do Brasil em vez das cores boreais terão as cores variamente tropicais. Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil, todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco. Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil lenhador lavrador pescador vaqueiro marinheiro funileiro carpinteiro contanto que seja digno do governo do Brasil que tenha olhos para ver pelo Brasil, ouvidos para ouvir pelo Brasil coragem de morrer pelo Brasil ânimo de viver pelo Brasil mãos para agir pelo Brasil mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar). mãos livres mãos criadoras mãos fraternais de todas as cores mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos, sem Irineus sem Maurícios de Lacerda. Sem mãos de jogadores nem de especuladores nem de mistificadores. Mãos todas de trabalhadores, pretas, brancas, pardas, roxas, morenas, de artistas de escritores de operários de lavradores de pastores de mães criando filhos de pais ensinando meninos de padres benzendo afilhados de mestres guiando aprendizes de irmãos ajudando irmãos mais moços de lavadeiras lavando de pedreiros edificando de doutores curando de cozinheiras cozinhando de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens. Mãos brasileiras brancas, morenas, pretas, pardas, roxas tropicais sindicais fraternais. Eu ouço as vozes eu vejo as cores eu sinto os passos desse Brasil que vem aí. Quinta-feira, Janeiro 16, 2003
Fanatismo Florbela Espanca Minh`alma de sonhar-te, anda perdida. Meus olhos andam cegos de te ver! Não és sequer razão do meu viver, Pois que tu és já toda minha vida! Não vejo nada assim enlouquecida... Passo no mundo, meu Amor, a ler No misterioso livro do seu ser A mesma história tantas vezes lida!" "Tudo no mundo é frágil, tudo passa..." Quando me dizem isto, toda a graça Duma boca divina fala em mim! E, olhos postos em ti, digo de rastros; "Ah! Podem voar mundos, morrer astros, Que tú és como Deus: Princípio e Fim!..." Quarta-feira, Janeiro 15, 2003
TEMPO O tempo é estático, Somos nós que passamos. Os amores não acabam Somos nós que de amores mudamos. As flores são eternas Nós que as vemos murchando. Toda dor é perene Somos nós que nos acostumamos. Toda hora é para sempre Pena, que sempre abreviamos. Toda chegada é partida, e é definitiva. Somos nós que nos ausentamos. Todas as lágrimas são repetidas Somos nós que de novo derramamos. Todas as respostas estão prontas É nas perguntas que erramos Todos os mortos estão vivos, e serenos Fomos nós...que morremos. Tonho França Terça-feira, Janeiro 14, 2003
Cartas de Amor Tôdas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fôssem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas, afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. (Todas as palavras esdrúxulas, Como os sentimentos esdrúxulos. São naturalmente Ridículas). (Álvaro de Campos) Segunda-feira, Janeiro 13, 2003
Winged Figure Thayer, Abbott Handerson Meu Deus, me dê a Coragem Clarice Lispector Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços o meu pecado de pensar. Domingo, Janeiro 12, 2003
Separação Affonso Romano de Sant¿Anna Desmontar a casa e o amor. Despregar os sentimentos das paredes e lençóis. Recolher as cortinas após a tempestade das conversas. O amor não resistiu às balas, pragas, flores e corpos de intermeio. Empilhar livros, quadros, discos e remorsos. Esperar o infernal juizo final do desamor. Vizinhos se assustam de manhã ante os destroços junto à porta: -pareciam se amar tanto! Houve um tempo: uma casa de campo, fotos em Veneza, um tempo em que sorridente o amor aglutinava festas e jantares. Amou-se um certo modo de despir-se de pentear-se. Amou-se um sorriso e um certo modo de botar a mesa. Amou-se um certo modo de amar. No entanto, o amor bate em retirada com suas roupas amassadas, tropas de insultos malas desesperadas, soluços embargados. Faltou amor no amor? Gastou-se o amor no amor? Fartou-se o amor? No quarto dos filhos outra derrota à vista: bonecos e brinquedos pendem numa colagem de afetos natimortos. O amor ruiu e tem pressa de ir embora envergonhado. Erguerá outra casa, o amor? Escolherá objetos, morará na praia? Viajará na neve e na neblina? Tonto, perplexo, sem rumo um corpo sai porta afora com pedaços de passado na cabeça e um impreciso futuro. No peito o coração pesa mais que uma mala de chumbo. Sábado, Janeiro 11, 2003
Folhas de rosa Todas as prendas que me deste, um dia, Guardei-as, meu encanto, quase a medo, E quando a noite espreita o pôr- do- sol, Eu vou falar com elas em segredo... E falo-lhes d`amores e de ilusõs, Choro o rio com elas, mansamente... Pouco a pouco o perfume do outrora Flutua em volta delas, docemente... Pelo copinho de cristal e prata Bebo uma saudade estranha e vaga Uma saudade imensa e infinita Que, triste, me deslumbra e m`embriaga. O espelho de prata cinzelada, A doce oferta que eu amava tanto, Que refletia outrora tantos risos, E agora reflete apenas pranto, E o colar de pedras preciosas, De lágrimas e estrelas constelado, Resumem em seus brilhos o que tenho De vago e de feliz no meu passado... Mas de todas as prendas, a mais rara, Aquela que mais fala à fantasia, São as folhas daquela rosa branca Que a meus pés desfolhastes, aquele dia... Sexta-feira, Janeiro 10, 2003
A photograph of a tree. MARIE-LOUISE BRIMBERG Além da Persiana Marina Colasanti Além da persiana do quarto overde volume das folhas que à luz se desenha rendado que cresce na sombra e à noite se aquieta. Carvalho,em repouso. Mas basta-me um gesto girar de vareta na ponta dos dedos e as lâminas brancas se inclinam cortando o carvalho em fatias Estrias de carvalho paisagem mudada marinha pastagem o verde deitado em longo horizonte sem ser mais irmão de outro verde Girando a vareta outra vez as lâminas tocam as lâminas o branco se fecha no branco escamas couraça No quarto o carvalho deixou de existir Berkeley,1998 Quinta-feira, Janeiro 09, 2003
Se vivo fosse João Cabral de Melo Neto,estaria completando hoje 83 anos Em homenagem venho colocar O Funeral de um Lavrador que se encontra no livro Vida e Morte Severina que eu acho maravilhoso
Reminescence De I'angelus Dali, Salvador Funeral de um lavrador João Cabral de Melo Neto ¿¿ Esta cova em que estás, com palmos medida, é a conta menor que tiraste em vida. ¿¿ É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. ¿¿ Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. ¿¿ É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo. ¿¿ É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo. ¿¿ É uma cova grande para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca. Quarta-feira, Janeiro 08, 2003
Night sky with stars and crescent moon Tim Brown Lua Adversa Cecília Meireles Tenho fases,como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha Fases que vão e que vêm, no secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu uso. E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com ninguém (tenho fases,como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia de eu ser sua... E,quando chega esse dia, o outro desapareceu... Terça-feira, Janeiro 07, 2003
Pinwheels on a Beach PETER GRIDLEY A vida É vão o amor, o ódio, ou o desdém; Inútil o desejo e o sentimento... Lançar um grande amor aos pés de alguém O mesmo é que lançar flores ao vento! Todos somos no mundo" Pedro Sem", Uma alegria é feita dum tormento, Um riso é sempre o eco dum lamento, Sabe-se lá um beijo de onde vem! A mais nobre ilusão morre... desfaz-se... Uma saudade morta em nós renasce Que no mesmo momento é já perdida... Amar-te a vida inteira eu não podia. A gente esquece sempre o bem de um dia. Que queres, meu Amor, se é isto a vida! Florbela Espanca Segunda-feira, Janeiro 06, 2003
Andy Zito Sendo eu de peixes achei esta poesia para peixes de Cecília Meireles É preciso não esquecer nada É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a idéia de recompensa e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence. Domingo, Janeiro 05, 2003
Ser Velho Campanha da Solidariedade do Idoso Ser velho não é apenas ter mais de 65 anos de idade e entrar na fila especial dos aposentados e idosos, nos bancos e repartições do governo. Ser velho não é ser doente, nem sentir-se infeliz o tempo todo. É apenas uma fase da vida. Pode até ser a melhor de todas. Um jovem, mesmo culto e inteligente, não pode ser melhor do que um velho, porque não possui o mesmo cabedal de conhecimento e experiência da vida. Se você tem um trabalho interessante, mesmo sem remuneração, sinta-se feliz na velhice. Seu trabalho pode ser de imensa utilidade mesmo para quem o acha uma verdadeira múmia. Porque é normal que os jovens os olhem com indiferença e até preconceito. Afinal de contas um velho já foi jovem, mas um jovem nunca foi velho para saber o quanto se fica sensível e carente, depois dos sessenta anos de idade. (Mary Schultze) Sábado, Janeiro 04, 2003
O tempo vai devorando tudo. O sucesso,o talento,a beleza... O que mais precisamos é que nos digam que nos querem, que gostam de nós em todos os níveis.... Assim como no amor,no cinema nunca estamos seguros de que nos querem bem Pedro Almodovar
ACORDAR VIVER Como acordar sem sofrimento? Recomeçar sem horror? O sono transportou-me àquele reino onde não existe vida e eu quedo inerte sem paixão. Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, a fábula inconclusa, suportar a semelhança das coisas ásperas de amanhã com as coisas ásperas de hoje? Como proteger-me das feridas que rasga em mim o acontecimento, qualquer acontecimento que lembra a Terra e sua púrpura demente? E mais aquela ferida que me inflijo a cada hora, algoz do inocente que não sou? Ninguém responde, a vida é pétrea. (Carlos Drumond de Andrade) Sexta-feira, Janeiro 03, 2003
Começar o ano com versos de Mário Quintana é a glória Versos "Eu queria trazer-te uns versos muito lindos... Trago-te estas mãos vazias Que vão tomando a forma do teu seio." "As vezes a gente acha que está dizendo bobagens e está fazendo poesia." "Se as coisas são inatingíveis, não é motivo para não quere-las. Que tristes os caminhos se não fora, a magica presença das estrelas!" "Não te irrites, por mais que te fizerem ... Estuda, a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio... "Todos esses que aí estão Atravancando o meu caminho, Eles passarão... Eu passarinho ! " (Mário Quintana) Quinta-feira, Janeiro 02, 2003
Sucesso (Autor desconhecido) Conta-se que um velho sábio ficava sentado à porta de uma velha cidade, todos os dias, vendo a vida passar.. . Um belo dia, um forasteiro, chegando à tal cidade, deparou-se com o velho sábio à sua porta, meditando. Pergunta-lhe então: - Oh velho! Diga-me, como é esta cidade? O velho respondeu-lhe: - Pergunto-te eu: como é a cidade de onde vens? - Muito confusa, oh velho! Há gente má, invejosa, que só quer o mal, e não o bem! - Ora meu filho! Então, nem entres nessa cidade aqui, pois é o retrato do que tu me descrevestes! O forasteiro, desiludido, fez meia volta e pôs-se a caminhar pela estrada de onde viera. Mais um pouco, e chega outro forasteiro. Deparando-se com o velho sábio à porta da cidade, pergunta-lhe: - Oh senhor, diga-me: como é essa cidade em que me encontro? O velho respondeu-lhe: - Pergunto-te eu: como é a cidade de onde vens? - Ah, meu senhor! Minha terra é de gente boa, amiga e ordeira! Há sempre alguém que faz o mal, mas o povo, na sua maioria, é gente que trabalha, luta com dignidade, tem solidariedade e amizade uns cons os outros... - Ah, então, meu filho, pode chegar que esta cidade nossa é idêntica à que tu me descreveste! O jovem, feliz da vida, entrou na cidade. Um menino, ali perto, que a tudo assistia, perguntou ao velho: - Velho sábio, por que ao primeiro deste uma resposta e ao segundo outra, se a pergunta que fizeram era a mesma? O velho respondeu-lhe: - Meu filho, aprende para a tua vida! Não há cidade boa nem ruim: quem faz o lugar onde moramos somos nós mesmos! Para começar o ano com o pé direito,aí vai uma oração para refletirmos e repensar sobre a nossa vida CONCEDEI-ME, Senhor meu Deus, uma inteligência que te conheça, uma angústia que te procure, uma sabedoria que te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que te possua, enfim! (São Tomás de Aquino) Quarta-feira, Janeiro 01, 2003
PAZ A paz é como / Aquele suspiro, / Leve e inocente, / Que a gente / Dá durante o sono. Tem a leveza / De uma folha / De outono./ E a delicadeza / De uma bolha / De sabão. É a gostosa / Sensação / De quem / Termina a lição, / Ou encontra / Um bichinho / Perdido. / Ou visita / Um amigo / Querido. Paz é / Andar / Descalço, / Onde tudo / É verdadeiro / E nada é / falso. Onde tem paz, / Não tem criança / Pedindo esmola / Na rua. / Não tem poluição / Escondendo / A Lua. Paz é / Futebol sem briga. / Pic-nic / Sem formiga. / Cidade / Sem ladrão; Não ter medo / De injeção. / Vampiro / Sem dente. / O tristonho, / Contente. Paz é / Colo de mãe / E abraço / De pai. Outro dia / Quietinho / Num canto, / Olha só / O que eu / pensei: A paz é Tão boa, Mas Tão boa, Que devia Ser lei. Arlinda Wietzke Kist
O Poema da Paz 0 dia mais belo? Hoje A coisa mais fácil? Equivocar-se O obstáculo maior? 0 medo 0 erro maior? Abandonar-se A raiz de todos os males? 0 egoísmo A distração mais bela? 0 trabalho A pior derrota? 0 desalento Os melhores professores? As crianças A primeira necessidade? Comunicar-se 0 que mais faz feliz? Ser útil aos demais 0 mistério maior? A morte 0 pior defeito? 0 mau humor A coisa mais perigosa? A mentira 0 sentimento pior? 0 rancor 0 presente mais belo? 0 perdão, 0 mais imprescindível? 0 lar A estrada mais rápida? 0 caminho correto A sensação mais grata? A paz interior 0 resguardo mais eficaz? 0 sorriso 0 melhor remédio? 0 otimismo A maior satisfação? 0 dever cumprido A força mais potente do mundo? A fé As pessoas mais necessárias? Os pais A coisa mais bela de todas? 0 amor Madre Teresa de Calcutá
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