Caminhando e Cantando

Segunda-feira, Maio 01, 2006

Terça-feira, Março 29, 2005




RECOMEÇAR

Silvana Duboc

Percebi finalmente
de qual material seu coração é feito
e decidi que desse jeito
não me interessa mais tê-lo ao meu lado.
O material que o reveste está contaminado
encontra-se em lastimável estado.
Você nem sabe mais o que é afeição
muito menos consideração.
Nossos corações estão em lados opostos
batem diferente.
O meu é sincero e o seu inconseqüente.
Por isso não o quero mais junto de mim
melhor eu sofrer um pouco agora
mas nisso tudo dar um fim.
Se vai ser bom para nós, não sei
mas vai ter que ser assim.
Reconstruo a minha vida
coloco ao meu lado alguém que possa me merecer
e quanto a você, tento esquecer.
Sei que fácil não vai ser
mas também sei que posso tentar
afinal a vida só vale a pena
porque é um eterno recomeçar.



Terça-feira, Fevereiro 08, 2005





Sentimento carnavalesco

É ter por dentro ecos formidáveis, batucadas existenciais,
passistas encantadas realizando a coreografia da saudade.
Ao lado delas, segue um jovem emocionado por viver
e saber-se carioca em profundidade,
identificado com tudo aquilo.
Aquele jovem saiu no bloco da vida e foi para onde?
É não se agradar do Carnaval concreto, que tem tudo "demais":
Preços, "seguranças", angústia, crachás, barraquinhas, nudez.
É agradar-se do desejo de ser leve e solto,
vagabundo e belo,
e sem tantos deveres ou consciência;
é preferir a alma da festa que o seu corpo,
embora estupefacto
diante da beleza de mulheres impossíveis.
De escritor que se compraz no que não tem,
por dificuldade de se relacionar com o possível.
É a criação de um território próprio onde se é rei
pelo cansaço de ser plebeu no território concreto dos homens.
É ainda a ânsia de sair por aí,
sem intenções ou objetivos,
cansado de conhecer, analisar.
Querendo apenas ser e viver.
Sem cogitar.
É não se aproveitar da fantasia para dizer verdades
recalcadas e provocar ofensores.
É sair por aí numa boa
e com uma só disposição:
a de não ter nada a fazer,
ninguém a quem convencer ou dar satisfações:
a alegria liberta de dispor do próprio tempo
e da própria vontade
segundo o que vai acontecendo
e não segundo os planos tensos e contraídos
do "ter que fazer", "dizer", "compreender" ou "realizar".
É a capacidade de ser criança, mulher ou grego.
Adoro fantasias de grego.
Sentir-me Pátroclo, o herói,
filho de Hércules,
amigo de Aquiles
e paquera de Helena,
indo para a Guerra de Tróia.
É ânsia de vôos e alegria.
Necessidade de não cogitar e
mergulhar na vida.
Um instante de inconseqüência
no meio da trajetória idiotamente lúcida, tão obscura.
É mandar às favas a ânsia de metafísica,
mera expressão dos medos que moram na mente,
vizinhos dos pensamentos
(não se dão, esses vizinhos!).
É acordar tranqüilo e emocionado, certeza de festa.
Só esperança, só juventude.
Do lado de lá, tanto coração!
Do lado de cá, tanta vontade!
Apenas ser vítima da alma diabólica das festas,
jamais autor ou relator, organizador ou apreciador.
Entrega total, bobalhona, nenhum pudor.
Vontade de ser passista ou tocador de surdo,
de mergulhar no delírio,
ser mais um,
chutar seriedades e convicções,
deveres e testemunhos.

Artur da Távola.



Quinta-feira, Novembro 11, 2004





NÃO SEI

''Não sei...
Se a vida é curta ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa, verdadeira, pura...
Enquanto durar.''

Cora Coralina



Quinta-feira, Outubro 14, 2004





Ajudem a Suipa a continuar a salvar os bichos
Ela está muito precisada de ajuda







A PRECE DE UM CÃO

Trate-me com carinho, querido amigo,
porque não há nada no mundo mais agradecido do que o meu coração.

Não machuque o meu espírito com a vara porque,
embora eu esteja lambendo as suas mãos entre uma e outra pancada,
a sua paciência e compreensão vão me ensinar
mais rápido aquilo que você quer que eu aprenda.

Nem sempre estou certo,
mas estou sempre querendo perdoar
e ser perdoado.

Fale sempre comigo,
pois a sua voz é a música mais doce,
como você já deve ter percebido,
pelo abanar fogoso de minha cauda quando ouço seus passos.

Por favor, leve-me para dentro
quando estiver frio ou chovendo pois sou um animal doméstico,
não mais acostumado ao frio e a chuva.

Peço-lhe nada mais que o privilégio
de sentar-me a seus pés, ao lado do coração.

Mantenha o meu pote cheio de água fresca,
pois não posso falar quando tenho sede.

Dê-me comida fresca, para que eu fique bem
e possa brincar e atender aos seus comandos,
para andar a seu lado e estar apto a lhe proteger com a minha vida,
caso você esteja correndo perigo.

Não posso falar quando preciso de cuidados médicos
ou quando devo tomar injeções;
olhe para mim e observe se estou indiferente,
fugindo da comida, e leve-me ao nosso amigo,
o Veterinário, para uma consulta periódica.

E, meu amigo,
quando eu estiver velho
e não mais gozando de boa saúde,
vendo e ouvindo mal,
não faça nenhum esforço heróico para me manter vivo.
Eu não vou estar me divertindo.

Por favor,
cuide para que minha vida seja suavemente tirada
. Devo deixar esta terra
sabendo que meu destino
sempre esteve seguro em suas mãos.

Tudo o que lhe peço
é que fique comigo até o fim,
segure-me firme
e fale comigo até que meus ouvidos
não mais o ouçam
e os meus olhos não mais o vejam.




.


Testamento de um Cão

(Frank Reinshstein)


Minhas posses materiais são poucas
e eu deixo tudo para você...

Uma coleira mastigada em uma das extremidades,
faltando dois botões, uma desajeitada cama de cachorro
e uma vasilha de água que se encontra rachada na borda.

Deixo para você a metade de uma bola de borracha,
uma boneca rasgada que você vai encontrar
debaixo da geladeira, um ratinho de borracha sem apito
que está debaixo do fogão da cozinha
e uma porção de ossos enterrados no canteiro de rosas
e sob o assoalho da minha casinha.
Além disso, eu deixo para você a memória, que aliás são muitas.

Deixo para você a memória de dois enormes
e meigos olhos cor de mel, de um nariz molhado
e de choradeiras atrás da porta.

Deixo para você uma mancha no tapete da sala de estar
junto à janela, quando nas tardes de inverno
eu me apropriava daquele lugar, como se fosse meu,
e me enrolava feito uma bolinha para pegar um pouco de sol.

Deixo para você um tapete esfarrapado
em frente de sua cadeira preferida,
o qual nunca foi consertado com o tipo de linha certo....isso é verdade.
Eu o mastiguei todinho, quando ainda tinha
cinco meses de idade, lembra-se?

Também deixo para para você
as memórias da primeira surra que levei quando comi seu celular
e também todo o meu esquecimento ...

Deixo para você um esconderijo que fiz no jardim
debaixo dos arbustos perto da varanda da frente,
onde eu costumava me esconder do sol nos dias de verão.
Ele deve estar cheio de folhas agora
e por isso talvez você tenha dificuldades em encontrá-lo.
Sinto muito!

Deixo também só para você, o barulho que eu fazia
ao sair correndo sobre as folhas de abril,
quando vagabundeávamos pelo sítio.

Deixo ainda, a lembrança de momentos pelas manhãs,
quando saíamos junto pela margem das lagoas do condomínio
e você me dava aqueles biscrocks coloridos.
Recordo-me das suas risadas, porque eu não consegui
alcançar aquele coelho impertinente.

Deixo-lhe como herança minha devoção, minha simpatia,
meu apoio quando as coisas não andavam bem,
meus latidos quando você levantava a voz aborrecido...
e minha frustração por você ter ralhado comigo
todas as vezes que eu colocava o nariz debaixo da cauda.

Eu nunca fui à igreja, nunca escutei um sermão,
e sem ter dito sequer uma palavra em minha vida,
deixo para você lições de paciência, de tolerância,
e amor e compreensão.
Sua vida tem sido mais rica porque eu vivi.



Quinta-feira, Outubro 07, 2004


NNew
OOdd
RRelaxed
MMesmerizing
AAppreciative

Name / Username:


Name Acronym Generator
From Go-Quiz.com



Terça-feira, Outubro 05, 2004

Quarta-feira, Julho 07, 2004